Nossos casulos sociais impenetráveis

Artigo de opinião

Por Welington Isaias

rua
O Brasil assiste a mais um caso de desrespeito e preconceito sofridos pela população em situação de rua.
Um morador de rua teve parte do corpo queimado na madrugada desta quarta- feira (04) em Sapopemba, na zona leste de São Paulo.

Esses casos de violência contra moradores de rua mostram como as pessoas se acostumaram, como o passar dos tempos, a hostilizar essa população, como se fizessem parte de dois mundo completamente diferentes. A desigualdade social e econômica das classes brasileiras se encarrega de disseminar essa ideia de diferenças entre as comunidades.

A famigerada moda de incendiar moradores de rua vem crescendo de forma impressionante em todo o Brasil, mostrando o desrespeito e a violação dos direitos da população de rua, que a cada dia se torna mais preocupante.

Eles estão por todas as partes, nas calçadas das grandes cidades, nos canteiros, nos grandes centros urbanos e comerciais. Muitas vezes passam despercebidos, mas quase sempre “representam” um risco para a sociedade.

Muitos deles estão em situação de rua não por uma vontade própria, ou por uma espécie de hobby, mas por um conjunto de fatores que levaram a estarem nas ruas, entre eles a falta de oportunidades.

Durante a realização do meu Trabalho de conclusão de curso, onde tentei por meio de uma reportagem mostrar como vivem moradores de rua em uma cidade satélite de Brasília, pude perceber a vulnerabilidade que são exposta essa população.

A comunidade da região se queixava dos riscos que eles poderiam oferecer aos moradores da localidade. Entretanto, foram os moradores de rua que mais se queixaram de violência e o preconceito, à ponto de apresentarem medo do convívio com a comunidade.

Apesar do preconceito e violência sofridos, pude perceber também que a maioria dessas pessoas que vive nas ruas não carrega rancor e nem desejo de vingança pelas pessoas que os ofendem e os discriminam. Agem com total compreensão, ao ponto de entender as hostilidades sofridas.

Compreensão ou medo?

Outro destaque que merece atenção, é que grande parte dessa população está em situação de rua, devido problemas familiares, muitos falam da imensa vontade de voltar a rever seus parentes, que não veem há tempos, como filhos, pais, e avós.

Dados da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal revelou que em 2012 foram registradas 22 casos de homicídio no DF envolvendo moradores de rua.

A sociedade brasileira está habituada a “varrer para debaixo de seus tapetes” toda a sujeira que a incomoda, tudo que atinge sua zona de conforto, o que não é belo aos seus olhos, e certamente um moradore de rua não está em sua lista de satisfações.

Fruto de uma sociedade explicitamente desigual, o morador de rua brasileiro carrega uma característica peculiar o medo. Talvez não sejam os agente da violência, mas sim as vítimas.

A esmola

É muito comum ouvir das pessoas que a prática de dar esmola prejudica a inserção dessas pessoas no meio social, gera vícios, ao receber a esmola a pessoa em situação de rua não quer trabalhar, sempre vão comprar drogas, etc. Mas fico imaginando como seria a vida de uma pessoa em situação de rua para sobreviver.

As pessoas se negam a dar esmolas, eu particularmente sou contra, mas em contrapartida apoio a utilização de práticas para mudar essa realidade, por meio de cidadnia e de direitos que são inerentes à pessoa humana.

As pessoas se acostumaram a se isolar em seus impenetráveis “casulos sociais”, onde não cabem estropiados e pedintes, se escondem por tras de suas lindas máscaras elitizads e jamais querem ser aborrecidas ou incomodadas por uma pessoa em situação de rua.

Muitos sonham com uma ressocialização, alguns com uma boa moradia, uma boa educação, um teto ou um prato de comida, mas sem dúvida a grande maioria dessas pessoas que vivem nas ruas, almeja apenas um momento de atenção.

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